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Síndrome toracolombar

Ainda pouco diagnosticada, a síndrome toracolombar (STL) requer conhecimentos de anatomia aplicada à clínica por parte do profissional de saúde para não passar desapercebida. Ela foi inicialmente descrita por Maigne, por isso também é conhecida como síndrome de Maigne.⁣

A STL diz respeito à sensibilidade de ramos neurais originados entre T11 a L2, com algumas variações de acordo com a literatura. A distribuição desses nervos cutâneos se dá à distância de sua emergência, portanto as dores também serão distantes do eixo axial. Esses ramos viajam desde a sua origem na coluna entrecruzando as fáscias musculares e emergem acima da crista ilíaca. Esse trajeto facilita para que ocorrem pontos de tensão neural adversa e mecanossensibilidade, que é evidenciada durante os movimentos e/ou palpação.⁣

As dores da STL são caraterizadas de acordo com a distribuição do ramo afetado, existe um ramo posterior, um lateral e um anterior. Os sintomas dolorosos estarão presentes em: região médio-lateral da lombar baixa, sacroilíaca e glútea superior quando relacionadas ao ramo posterior. Já o ramo lateral irá apresentar sintomas no terço súpero-lateral da coxa e o ramo anterior em região de hipogástrio e inguinal. É comum que as dores se exacerbem durante a caminhada ou com a rotação do tronco.⁣

Por sua localização incomum, as dores nessas regiões podem ser facilmente confundidas com problemas lombares baixos e sacroilíacos, bursite trocantérica e/ou disfunções gastrointestinais e geniturinárias. Gerando resultados falsos positivos e tratamento ineficazes.⁣


O diagnóstico é essencialmente clínico, por meio de palpação das dermalgias reflexas nos territórios cutâneos desses nervos, há a presença de cordões miálgicos nos músculos do metâmero, sensibilidade do periósteo correspondente e dos pontos de emergência neural acima da crista ilíaca. Sendo que esses achados são confirmados após a infiltração com anestésico e remissão dos sintomas.⁣

⁣ Por fim, o tratamento médico pode ser feito por meio de bloqueios anestésicos em regiões especificas. Já o tratamento por meio da fisioterapia osteopática é composto manipulações articulares, teciduais e neurais e seus objetivos são: diminuir as tensões neurais adversas, melhorar a mobilidade local e atuar no controle neurovegetativo tecidual, além de procurar entender quais associações de outras regiões e sistemas corporais podem estar por trás da manutenção do quadro e trabalhar para favorecer o restabelecimento do equilíbrio corporal e remissão dos sintomas. Vale lembrar que o tratamento osteopático não utiliza medicamentos ou cirurgia.