Renan Pivetta - Osteopatia Indaiatuba / Artigos  / Regressão espontânea da HÉRNIA DE DISCO

Regressão espontânea da HÉRNIA DE DISCO

A hérnia de disco (HD) é bastante temida e pouco compreendida por parte de profissionais e pacientes. Sabemos que sua incidência aumenta com a idade e que aparentemente isso é um processo normal, até mesmo em pessoas que não apresentam dores. É possível afirmar que apenas uma pequena parcela dos portadores de HD irá apresentar sintomas clínicos, sendo os mais comuns as dores locais com irradiações para os membros. Mas o que está por trás da dor nesses casos?!

Há uma crença de que a dor se deve exclusivamente à compressão que a HD gera no nervo. Saibam que são descritos casos cujos exames demonstram a compressão mecânica da raiz e sem presença de nenhum sintoma clínico. A resposta do motivo de alguns sentirem dor e outros não, além da capacidade de modulação da dor de cada indivíduo, está no processo inflamatório. A inflamação é responsável por criar uma hipersensibilidade na região e isso facilita sentir dor.

Outra crença é de que o tratamento evolua para cirurgia. Podemos afirmar que pouquíssimos casos necessitam de intervenção cirúrgica, o tratamento conservador, por meio de medicamentos e fisioterapia, é sem dúvida a primeira escolha na maioria dos casos. O que poucos consideram é que por trás do sucesso do tratamento conservador muitas vezes está o fenômeno chamado de “regressão espontânea”. A regressão espontânea é uma programação biológica do nosso corpo relacionada à reabsorção do material herniado. Esse processo é mediado pelo sistema imunológico, com a presença da inflamação. Mas como isso ocorre?

O disco intervertebral (DIV), especificamente o núcleo pulposo, está isolado do sistema imune, ele é contido pelo anel fibroso e placas cartilaginosas, é uma estrutura avascular. A partir do momento que existe a extrusão do conteúdo discal, ocorre uma reação imunológica mediada por uma série de substâncias químicas. Nesse processo encontramos: inflamação, remodelação do material extruso e angiogênese. Ele irá resultar na fagocitose do material herniado. O curioso é que isso desbanca mais um dos medos: o tamanho da HD. Pois os estudos identificaram que as HD’s maiores apresentam maior taxa de reabsorção.

Observando por esse ponto de vista, o processo inflamatório é fundamental e deve ser visto com bons olhos, apesar de aumentar a dor muitas vezes. Explicar isso aos pacientes e mostrar o lado positivo do quadro auxilia na compreensão, diminui o medo/ansiedade, aumenta a aderência ao tratamento e, por fim, aumenta as chances de restauração da função e alívio da dor. Lembrem-se: a evolução é melhor em um ambiente calmo.