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O que está por trás da melhora do paciente?!

Esse é um assunto que gosto muito de discutir! Nós, os clínicos, temos a impressão de que a melhora do paciente está atrelada a uma eficácia do tratamento que foi empregado, eu sempre achei isso. Fato é que desde que comecei a aprofundar os meus estudos, principalmente no campo da dor, me deparei com uma série de informações que num primeiro momento me frustraram bastante, porém talvez tenha sido um dos maiores saltos que tive em minha vida profissional e quero contar um pouco sobre alguns fatores que podem fazer os pacientes melhorarem e que não tem nada a ver diretamente com o efeito da técnica que foi empregada durante a consulta. Tenho certeza que alguns nem vão terminar de ler o texto, pois será um desafio ao ego terapêutico, mas garanto que quem terminar irá aprender muito. Vou listar os principais fatores abaixo:⁣


1. 𝐇𝐢𝐬𝐭ó𝐫𝐢𝐚 𝐧𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐝𝐨𝐞𝐧ç𝐚: existe um tempo de instalação e de resolução das doenças. A menos que o corpo não esteja apto ele irá realizar esse processo, com ou sem tratamento. Ou seja, pode ser que coincida esse período de cura com o tempo que o paciente está em tratamento. Sabiam que a maioria das lombalgias agudas melhoram em torno de 20 dias?!⁣
2. 𝐑𝐞𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬ã𝐨 à 𝐦é𝐝𝐢𝐚: uso muito esse exemplo em portadores de dor crônica, geralmente há uma intensidade média de dor no dia a dia. Quando essa dor se exacerba a pessoa tende a procurar tratamento. Porém estatisticamente há um histórico de oscilação da intensidade da dor e a tendência dela, por estar em pico, é regredir para a média, ou seja, o seu paciente pode só ter voltado para a dor média habitual dele, não quer dizer que seu tratamento que fez isso, é uma tendência.⁣
3. 𝐄𝐟𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐩𝐥𝐚𝐜𝐞𝐛𝐨: 𝐬ã𝐨 𝐞𝐟𝐞𝐢𝐭𝐨𝐬 𝐠𝐞𝐫𝐚𝐝𝐨𝐬 simplesmente pela crença do paciente de que o tratamento que está recebendo será benéfico a ele. Sobre esse assunto recomendo a leitura do livro “Cura” de Jo Marchant.⁣
𝟒. 𝐌𝐮𝐝𝐚𝐧ç𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐡á𝐛𝐢𝐭𝐨𝐬: 𝐚𝐨 𝐢𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚𝐫 𝐮𝐦 𝐭𝐫𝐚𝐭𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 o paciente tende a melhora seus hábitos, por exemplo, podem iniciar um exercício por conta própria e isso gerar a melhora do quadro não a técnica empregada.


Enfim, esses são alguns exemplos de confundidores da eficácia exclusiva do tratamento empregado, isso não quer dizer que o tratamento não surte efeito, quer dizer que uma parte da melhora do paciente é relacionada ao tratamento e podem existir outros fatores que ampliem o tamanho da melhora, em alguns casos podemos dizer que a melhora não tem a ver com o tratamento, como em pesquisas que utiliza-se medicamentos placebo, que comprovadamente não geram efeito e mesmo assim observa-se melhora dos sintomas que estão sendo estudados.

Como disse esse é um assunto que tira os clínicos da zona de conforto e confronta muitas crenças profissionais, espero que tenham chegado até aqui e que usem de maneira positiva essa informação para que se tornem cada vez mais críticos dos tratamentos que empregam e de suas próprias crenças enquanto terapeutas.